O exame psicotécnico é pré-requisito na seleção de candidatos para aprovação em
alguns concursos públicos, o que tem gerado discussões e controvérsias acerca do
tema. Esse é um dos temas mais polêmicos também na prática da Psicologia. Em
virtude dos questionamentos gerados e solicitações de alguns candidatos para que
conheçam a avaliação psicológica, destacamos algumas informações importantes.
A aplicação, manuseio e guarda dos testes psicológicos é de responsabilidade
privativa dos psicólogos e está prevista no Código de Ética Profissional. O psicólogo
tem o compromisso de evitar a disseminação de instrumentos psicológicos a leigos e
impedir o exercício ilegal da profissão. Constitui-se como um dos nossos deveres
fundamentais:
O psicólogo não divulgará, ensinará, cederá, emprestará ou venderá a leigos
instrumentos e técnicas psicológicas que permitam ou facilitem o exercício ilegal da
profissão.
Questionamos, portanto, até que ponto deve-se dar credibilidade aos materiais
veiculados na mídia sobre psicotestes? Por que alguns candidatos acreditam que
devem “estudar” testes psicológicos? É necessário “aprender” a responder testes?
Preciso simular aspectos emocionais/psicológicos distintos dos que possuo para ser
aprovado?
Convido-lhes a lançar um olhar amplo sobre o tema.
O uso do exame psicotécnico vincula-se à avaliação de atividades específicas,
indicando uma situação na qual os avaliados são submetidos a baterias de testes a fim
de averiguar se satisfazem os requisitos psicológicos definidos na especificação do
cargo que pretendem ocupar. Ou seja, o objetivo do psicoteste, como também é
conhecido, é avaliar a compatibilidade entre o perfil do candidato e as necessidades do
cargo requerido.
Infelizmente, alguns profissionais desonram o compromisso com a profissão,
disseminando testes e instruções equivocadas. Estas práticas, além de ilegais, geram
temor aos leigos, descrédito em relação à profissão e às instituições comprometidas
com a ciência e a ética. Ao psicólogo, antes de tudo, cabe o compromisso com o bemestar
e a saúde das pessoas, não sendo compatíveis, portanto, práticas deste tipo.
Ao divulgar e emitir informações equivocadas sobre testes, uma cadeia de
problemas é criada. Uma série de implicações éticas é imposta não apenas para os
candidatos de um concurso em particular, mas sim para a sociedade que corre, por
exemplo, o risco de ser servida por alguém com características incompatíveis com o
cargo que possui, o que pode resultar em dificuldades para cumprir com os deveres
que lhe serão atribuídos mais tarde. Ademais, esta mesma sociedade arcará com o
ônus de um lapso que parecia irrelevante inicialmente.
É importante destacar que a incompatibilidade de um candidato com o cargo
almejado numa avaliação psicológica não significa loucura, nem deve ser vista com
preconceitos. Todas as pessoas possuem habilidades e aptidões, porém nem todas
apresentam facilidade em desempenhar algumas atividades profissionais.
Distinguindo-se de conteúdos normalmente avaliados em concursos, é ilusória a
idéia de aprender a responder psicotestes. Cada um possui características próprias que
justificam os métodos e técnicas psicológicas em sua construção. Trata-se de aspectos
reconhecidos pela comunidade científica como adequados para instrumentos dessa
natureza, não comportando treinos para sua resolução. Portanto, é insustentável a
idéia de burlar testes e simular respostas.
Muito mais que a defesa de uma categoria profissional, nos colocamos em defesa
da sociedade por acreditarmos que é com compromisso e ética que construímos uma
caminhada de realizações e felicidade em todos os aspectos.
Em vez de investir tempo e energia em práticas ilegais, pense no grande trajeto
que o estudo para concursos exige de você e o modo como tem se desafiado
diariamente. Reflita como a melhor parte de você já foi colocada à prova. Confie!
Agora e sempre o melhor é ser você e acreditar. Não há motivos para temor. Cultive
pensamentos positivos, tranqüilidade e mostre o que há de melhor em você.
Vivyanne Medeiros de Farias
Psicóloga
CRP - 17/ 1322
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